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Está
fazendo um ano que publicamos esse artigo, escrito pelos pesquisadores
do Cedecam/Labomar/UFC, e pela primeira vez abordávamos o IMNV,
o vírus causador da NIM, a necrose infecciosa muscular. Na ocasião,
minha decisão de trazer o tema para a pauta da revista se deu
porque as informações que vinham do campo, falavam de
severas mortalidades e grandes prejuízos. Além disso,
as empresas de venda e distribuição de insumos já
experimentavam uma acentuada queda nos negócios, com uma preocupante
inadimplência.
O
ano era 2004, e naqueles primeiros meses já era possível
antever uma queda significativa na produção, confirmado,
agora, pelo censo recentemente divulgado pela ABCC. Passados dois anos,
desde o aparecimento em agosto de 2002, dos primeiros casos da doença
em viveiros do Piauí, quase nenhum avanço havia sido conquistado
para se conhecer melhor a ação do vírus IMNV. Poucos,
naquela ocasião, se davam conta de que a NIM, e seu agente causador,
o vírus IMNV, eram uma exclusividade brasileira, não tendo
sido descritos anteriormente na literatura científica de nenhum
outro país. Portanto, nenhum pesquisador estrangeiro havia feito
o favor de estudar o IMNV, para nos dar de bandeja todas as informações
que pudéssemos precisar para conviver com ele. A indústria
do camarão cultivado no Brasil ficou, então, pela primeira
vez, refém dos nossos especialistas, e da capacidade deles de
gerar informações sobre a melhor forma de produzir com
a presença desse vírus. Bem, mas isso já é
outro papo...
Hoje,
um ano depois de publicada a matéria sobre o IMNV, a NIM segue
batendo forte, e ainda pouca coisa se sabe sobre ela, além do
fato de que continua atacando, com golpes diretos, o bolso do produtor.
Em palestra recente, Enox Maia, um dos principais formadores de opinião
da carcinicultura brasileira, falou que hoje, por conta da NIM, as sobrevivências
médias andam ao redor de 45%; as taxas de conversão alimentar
próximas de 3:1, e os custos de produção variando
de R$ 6,00 a R$ 10,00. Ao falar sobre a necessidade dos carcinicultores
partirem para o policultivo do camarão com a tilápia,
Enox não deu como justificativa da sua opinião, a presença
detectada do WSSV no Nordeste, e sim o vírus causador da NIM.
Isso, por si só, mostra que o IMNV é, sem sombra de dúvidas,
a maior ameaça que a carcinicultura brasileira já conviveu
na sua história recente, mesmo que sejam poucos os produtores
que têm a coragem de reconhecer publicamente o que se passa nos
seus viveiros.
Agora estamos nos deparando com a descoberta da presença do vírus
da mancha branca em viveiros no Ceará. O WSSV, somado ao IMNV-NIM-IHHNV-NHP,
incrementa ainda mais a indigesta “sopa de letrinhas” em
que estão imersos os camarões cultivados no Brasil. A
diferença é que já se sabe muita coisa sobre o
WSSV, o que pode servir para tranqüilizar os produtores, além
do fato dele estar presente nos viveiros de todos os países que
concorrem com o Brasil no mercado internacional.
Mas, e
a NIM? Até quando ela vai nos ameaçar? O que está
sendo feito, efetivamente, para reduzir o seu impacto no bolso do produtor?
Com a palavra os pesquisadores brasileiros.
Uma boa
leitura para todos,
Jomar Carvalho
Filho
Biólogo e Editor
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