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Editorial - Edição 87 |
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| Tempos atrás um produtor de camarão declarou nas páginas da Panorama da Aqüicultura, que não tinha dúvidas quanto a chegada do vírus da mancha branca (WSSV) ao Brasil. Disse ainda, que isso era apenas uma questão de tempo e que a sua única dúvida, era “quando” iria acontecer e qual a extensão do estrago que a doença causaria. Para muitos isso soou como uma urucubaca, e teve até gente correndo pra bater três vezes na madeira. Afinal, Deus é brasileiro, e basta “virar essa boca pra lá” pra que nada nos atinja. | |||
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Quase dois meses após o anúncio oficial da presença do WSSV no país, poucas foram as medidas tomadas para avaliar a extensão do problema. Pelo andar da carruagem, importantes perguntas, entre elas, se o vírus já estava entre nós, ou se teria sido introduzido, ainda levarão muito tempo para que sejam respondidas. A atuação dos órgãos públicos, no caso da mancha branca, tem sido desastrosa. É total o despreparo do MAPA para lidar com as enfermidades relacionadas aos cultivos aquáticos. Como a “Síndrome da Mancha Branca” é uma doença de notificação obrigatória ao OIE - Escritório Internacional de Epizootias, o MAPA está sendo obrigado a atuar através da sua Secretaria de Defesa Agropecuária, entretanto, nenhuma eficiência foi vista até agora. Alarmada, a grande imprensa anunciava, duas semanas após a confirmação do vírus, barreiras sanitárias impedindo que todos os pescados da aqüicultura catarinense fossem transportados para fora do estado, como se os piscicultores do Alto Vale do Itajaí tivessem algo a ver com o infortúnio dos carcinicultores do município de Laguna. Por sorte, alguém com juízo foi ouvido e a desastrosa barreira sanitária revogada 24 horas depois deixando, obviamente, estragos na imagem dos peixes e moluscos criados no estado. Para completar a trapalhada, as análises virais para serem reconhecidas oficialmente, somente podem ser feitas em um dos três LARAs - Laboratórios Regionais de Apoio Animal do Ministério da Agricultura existentes no Brasil, ou em algum eventual laboratório credenciado pelo Ministério. Até o fechamento desta edição, os resultados das análises das amostras de larvas coletadas, ainda em janeiro, nos laboratórios catarinenses de larvicultura, bem como de camarões moribundos de várias fazendas interditadas, ainda não haviam sido liberados pelo LARA de Porto Alegre, RS. Urgência é algo que dá a entender que não existe. Outro
fato curioso é que a notificação oficial obrigatória
ao OIE, feita pelo MAPA, foi baseada em amostras analisadas no exterior,
que não foram, até o momento, validadas em seus laboratórios.
E mais: vale lembrar aqui, que a comercialização dos camarões
da região afetada foi, em 28 de fevereiro, liberada para todos
os estados brasileiros. Assim, espalhar o vírus da casa pode.
Só não podem os vírus vindos do exterior, já
que as fronteiras estão fechadas. É isso mesmo? Nesta edição o leitor vai encontrar, além da abordagem dos temas ligados ao WSSV, ótimas matérias sobre a produção de híbridos de tilápia, de cultivo de mexilhões offshore, uso de plantas aquáticas na aqüicultura, piscicultura ornamental, qualidade de produtos de pescado e muito mais. A todos uma boa leitura, Jomar Carvalho
Filho |
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