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Editorial - Edição 86 |
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| E m 15 anos de revista, essa é a segunda vez que optamos por dedicar uma edição a um único tema. A primeira vez que isso aconteceu foi em 2000, quando realizamos no Rio de Janeiro o 5o ISTA – Simpósio Internacional sobre o cultivo da tilápia. Na ocasião, a edição no 60 se debruçou exclusivamente sobre o cultivo desse peixe que já ocupava, naquela ocasião, um lugar definitivo no cenário da aqüicultura brasileira. Agora peço licença aos demais aqüicultores, e desde já, conto com a compreensão de todos para dar a vez, nessa edição, à carcinicultura. | |||
| O cultivo do camarão marinho no Brasil foi, por décadas, uma atividade mais conhecida pelo seu potencial do que pelos volumes que realmente produzia. O profissionalismo só apareceu ao longo da década de 90, quando então a atividade começou a florescer. O manejo das fazendas e os profissionais capazes de implementá-lo com destreza passaram finalmente a ser valorizados. Nesse cenário, onde várias espécies de camarões transitaram, o destaque é sem dúvida o L. vannamei, um convidado de honra que confirmou nesses últimos anos a sua excepcional performance zootécnica. Tais virtudes o levaram a ser adotado pelos principais fabricantes de alimentos do país, que não encontraram maiores dificuldades para formular rações específicas. Fora das porteiras, o setor também vem surpreendo o mercado ao fazer bem o seu dever de casa. Ao mostrar maturidade na conquista de novos e importantes mercados, leva o camarão brasileiro às mesas de vários países. Tudo isso conquista divisas que acabam por transformar positivamente a vida de centenas de milhares de pessoas, que direta ou indiretamente vivem dos seus frutos. Uma indústria finalmente se estabeleceu e hoje podemos seguramente afirmar que a carcinicultura brasileira deixou de ser uma promessa, para cumprir o seu grande e conhecido potencial. Olhando o ano de 2004 vemos, no entanto, que ele não foi dos melhores para a carcinicultura. Pela primeira vez a produção de camarões foi menor do que a de um ano anterior. Ainda é impossível afirmar o quanto menor, mas as lideranças da atividade estimam que a redução tenha sido de 10% sobre o ano de 2003. Pela primeira vez, ameaçados por doenças que atacaram a saúde financeira do setor, os carcinicultores brasileiros experimentaram os mesmos dissabores já vividos por outros produtores de camarão ao redor do mundo. Nas fazendas, ainda são sentidos os golpes impostos pelo vírus IMNV e pela bactéria causadora do NHP. Como se isso não bastasse, durante 2004 os carcinicultores foram cerceados na sua liberdade de comercializar livremente com os EUA, até então seu principal mercado consumidor, ameaçados por uma tarifa antidumping. Sobre esse assunto, aliás, convidamos Sergio Melo, presidente da SM Pescados para compartilhar a sua opinião e experiência. Sérgio, em seu artigo escrito antes da confirmação final da tarifa do DOC pelo ITC, ressalta a importância da volta do Brasil ao mercado norte-americano, mesmo com a antipática presença dessa tarifa, estabelecida em 10,4%. Mal ou bem, aprender com a diversidade parece ser a sina desse país. Da mesma forma que o processo antidumping desviou o nosso camarão para o mercado nacional e europeu e também nos fez ver a importância de oferecer produtos com valor agregado, as doenças nos atentaram para a necessidade de um manejo cada vez mais sustentável. E, como não há mal que sempre dure, o setor já incorporou novas práticas e começa a mostrar os sinais de recuperação. Nesta edição, abordamos temas relacionados ao bom manejo dos viveiros, um assunto que certamente interessará também aos piscicultores mais atentos. Nas próximas páginas o leitor vai se deparar ainda com tantos outros artigos, que espero contribuam, de alguma forma, para que a carcinicultura brasileira volte o mais breve possível a desfrutar plenamente de todo o seu vigor. No mais,
desejo um bom ano para todos e uma boa leitura, Jomar Carvalho
Filho |
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