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internacionais de sanidade. Ao contrário, suponho até
que muitos aqüicultores, espalhados por vários países,
incluindo o Brasil, tenham festejado a oportunidade de negociar num
mercado sem a incômoda presença chinesa. Algo muito parecido
deve ter acontecido quando saiu publicada a notificação
da OIE sobre a presença da febre aftosa no Mato Grosso, que de
imediato embarreirou a exportação da carne bovina brasileira
para muitos países. Não tenho dúvidas de que produtores
espalhados pelo mundo festejaram a má sorte dos pecuaristas brasileiros.
Assim funciona o mercado globalizado, com produtos de origem animal
e vegetal circulando de um canto a outro do planeta, e deixando repentinamente
de circular por esbarrarem nas cada vez mais estreitas regras que regem
essa movimentação de produtos vivos, frescos ou congelados.
A gente sabe que ninguém gosta de falar sobre doenças,
principalmente nós brasileiros que, por superstição
ou medo, nem pronunciamos a palavra câncer, como se isso fosse
o suficiente pra afastar essa doença do nosso corpo. Mas, não
podemos fechar os olhos para as patologias porque elas minam a capacidade
competitiva dos produtores e enfiam, como ninguém, a mão
no bolso do aqüicultor. Isso explica porque os temas ligados a
sanidade dos produtos da aqüicultura ocupam grande parte da pauta
desta edição. Falamos da certificação sanitária,
das doenças de notificação obrigatória e,
das doenças que, mesmo não sendo de notificação
obrigatória, podem fazer uma atividade florescente como a tilapicultura,
se tornar inviável economicamente.
Abordamos também nesta edição as preocupações
dos cientistas e dos fabricantes de rações de todo o mundo,
que reunidos em um simpósio internacional de nutrição,
buscavam alternativas diante das inesperadas mudanças no cenário
mundial dos ingredientes. Os aumentos recentes no preço da farinha
de peixe, que colocam em cheque a viabilidade econômica da fabricação
e do uso das rações balanceadas para peixes carnívoros,
foi o tema mais discutido.
Nas próximas páginas o leitor encontrará ainda
os avanços do uso dos bioflocos na engorda dos camarões
e os primeiros passos do Projeto Polvo Nordeste, que pretende, através
da engorda de juvenis de polvos capturados pela pesca a vela, melhorar
a qualidade de vida e a renda das comunidades pesqueiras. E muito mais...
A todos, boa leitura.
Jomar Carvalho
Filho
Biólogo e Editor
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